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Reflexões de Thomas Merton - 2021

março de 2021

Obedecer a Deus é ...

"corresponder à sua vontade expressa na necessidade de outra pessoa, ou, pelo menos, respeitar os direitos dos demais. Pois os direitos de outra pessoa são a expressão do amor e da vontade de Deus. Ao exigir que eu respeite os direitos de outro, o Senhor não está apenas me pedindo que cumpra alguma lei abstrata, arbitrária; está me permitindo compartilhar, como filho seu, seu próprio cuidado com meu irmão. Quem ignora os direitos e necessidades alheias não pode ter a esperança de andar à luz da contemplação, pois seu caminho se desviou da verdade e da compaixão – e, portanto, de Deus.

Thomas Merton em "Novas sementes de contemplação".

fevereiro de 2021

A vida tem um sentido

"Por mais decadentes que pareçam o homem e o mundo e por mais terrível que se torne o desespero humano, enquanto o homem continuar a ser homem, é a sua própria humanidade que continuará a dizer-lhe: a vida tem um sentido. Essa é, de fato, uma das razões pelas quais tende o homem a rebelar-se contra si mesmo. Se ele pudesse ver sem esforço o sentido da vida e chegar sem tropeço ao seu fim, jamais discutiria o fato de que a vida bem vale ser vivida.

Thomas Merton em "Homem algum é uma ilha".

janeiro de 2021

O recolhimento.

"É UMA TRANSPOSIÇÃO DE FOCO, que harmoniza toda a nossa alma com o que está além e acima de nós. E uma “conversão”, uma “volta” do nosso ser às coisas espirituais e a Deus. Como são simples as coisas espirituais, o recolhimento é também uma simplificação do nosso estado de espírito e da nossa atividade espiritual. Tal simplificação nos confere aquela paz e visão das coisas que Jesus proclama ao dizer: “Se o teu olho é simples, todo o teu corpo será luminoso” (Mt 6,22).

Thomas Merton em "Homem algum é uma ilha".

abril de 2021

O Triunfo da Páscoa

"Só durante a Paixão foi a imagem gloriosa do Pai momentaneamente obscurecida, na alma humana do Redentor. E, no entanto, mesmo durante a Paixão, Ele era Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Mesmo aí, sua experiência foi, num sentido muito especial, uma experiência contemplativa: a experiência da Luz que brilhou nas trevas e que as trevas não compreenderam. Durante a sua Paixão, Jesus viveu esse obscurecimento da luz divina de que toda alma cristã deverá doravante participar, a fim de passar de suas próprias trevas à luz admirável de Deus, sendo atraída pelo poder do Pai que, também, se ocultara momentaneamente nas trevas com seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo nas trevas da morte, antes da Ressurreição, Jesus é uma coluna de fogo que nos ilumina durante nossa passagem do Mar Vermelho e do deserto, rumo à terra prometida, conforme canta a Igreja no mistério triunfante de Páscoa.

Thomas Merton em "Marta, Maria e Lázaro".