Espaço Thomas Merton

29.12.2019

“A Boa nova do Natal


"Como o cristão do século XX deve ler os Evangelhos, principalmente a história evangélica do Nascimento de Cristo, Nosso Senhor? Esta não é simplesmente uma questão banal que um autor pode dispensar com algumas generalidades otimistas e comuns. É uma questão que interessa seriamente a todo crente, visto que todo cristão hoje está de certa forma consciente de que os Evangelhos, e particularmente os Evangelhos da Natividade, têm sido questionados como “mitos”. Neste caso, como devemos lê-los? Devemos considerar cuidadosamente cada detalhe, examinar o que os críticos disseram, rejeitar tudo o que eles rejeitaram, guardar apenas o que eles guardaram? Dessa forma nos conformaremos a uma decisão da “ciência”. Mas essas certezas críticas irão nos limitar a uma dieta de baixa proteína de um ou dois fatos autenticados sobre os quais todos devem concordar.(...)"

Thomas Merton em "Amor e vida".

22.12.2019

Vida espiritual em seu máximo


"O eu interior não é uma parte de nosso ser, como o motor de um carro, mas sim nossa própria realidade substancial em sua totalidade e em seu nível mais pessoal e existencial. Ele é como a vida e, de fato, é vida: é nossa vida espiritual em seu máximo, a vida pela qual tudo mais em nós é vivo e se move. Ele permeia, abarca e ultrapassa todo o nosso ser. Se está desperto, comunica uma nova vida à inteligência na qual vive, de modo que se torne uma viva consciência de si mesmo. Essa consciência, por sua vez, não é tanto algo que possuímos quanto algo que somos; é uma nova e indefinível qualidade do nosso ser vivo."

 

Thomas Merton em "A experiência interior".

15.12.2019

"A oração contemplativa é, de certo modo, simplesmente, a preferência pelo deserto, pelo vazio, pela pobreza. Alguém começa a conhecer o sentido da contemplação quando, intuitiva e espontaneamente, procura o caminho obscuro e desconhecido da aridez, de preferência a qualquer outro. O contemplativo é alguém que escolhe antes o não saber do que o saber. Antes não fruir do que fruir. Antes não ter provas de que Deus o ama. Aceita o amor de Deus na fé, num desafio a toda evidência aparente. Essa é a condição necessária – e uma condição muito paradoxal – para a experiência mística da realidade de Deus e de seu amor por nós. Somente quando somos capazes de ‘largar’ tudo o que há dentro de nós, todo desejo de ver, de saber, de provar e de experimentar a presença de Deus, é que nos tornamos realmente capazes de ter a experiência dessa presença com a convicção e realidade avassaladoras que revolucionam nossa existência inteira"

 

Thomas Merton em "Poesia e Contemplação".

8.12.2019

A maioria dos meus problemas
se enraíza em minha própria amargura

"Anoitecer: "Acima de tudo o coração é enganoso, / O coração é cheio de sinuosidades e fundo. / O velho está coberto por mil capas que o envolvem" (Lancelot Andrewes, Pieces).

Palavras tristes, verdadeiras: sua verdade não seria tão sentida por mim se eu não tivesse tido tanta solidão nesses dias, com chuva caindo no telhado e ocultando o vale. Chuva durante a noite, o incômodo da água nos baldes. Rachando lenha atrás da casa, um leve odor de fumaça de nogueira-amarga vem pela chaminé, enquanto o sinto e vejo como sou enganoso e que a maioria dos meus problemas se enraíza em minha própria amargura. É para isso que serve a solidão? Pois então ela é boa, mas tenho de rezar pela força para suportá-la! (O coração, que é enganoso, não o quer — mas Deus é maior do que o meu coração!)"

 

Thomas Merton em "Merton na intimidade".

1.12.2019

Considerações sobre a Humildade

"É quase impossível superestimar o valor da verdadeira humildade e seu poder na vida espiritual, pois o início da humildade é o início do caminho da bem-aventurança, e a consumação da humildade é a perfeição de toda alegria. A humildade contém em si a resposta a todos os grandes problemas da vida da alma; é a única chave que dá acesso à fé, início da vida espiritual, pois fé e humildade são inseparáveis. Na perfeita humildade desaparece todo egoísmo e a alma não vive mais para si nem em si mesma para Deus, mas se perde de vista, mergulha em Deus e é nele transformada.

A essa altura da vida espiritual, a humildade atinge o mais alto grau de exaltação da grandeza. É aqui que todos os que se humilham são exaltados, pois vivendo não mais para si ou no nível humano, o espírito é liberto de todas as limitações e vicissitudes da criatura e da contingência, e mergulha nos atributos de Deus, cujo poder, magnificência, grandeza e eternidade se tornam nossos pelo amor, pela humanidade.

Se formos incapazes de humildade, seremos incapazes de alegria, porque só a humildade pode destruir o egocentrismo que impossibilita a alegria."

 

Thomas Merton em "Novas sementes de contemplação".

24.11.2019

O livro da vida

"Talvez o Livro da Vida, no final, seja o livro que cada um viveu. Se alguém não viveu nada, esse alguém não está no Livro da Vida. Eu sempre quis escrever sobre tudo. Não digo, com isso, escrever um livro que cubra tudo – o que seria impossível, mas um livro no qual possa entrar de tudo. Um livro com um pouco de tudo que se cria a partir de nada. E que tem vida própria. Um livro fiel, que já não vejo mais como um 'livro'."

 

Thomas Merton em "Merton na Intimidade - sua vida em seus diários".

17.11.2019

A secreta influência de
Cristo vivendo dentro de nós

"Eis aqui o claro e legítimo significado de contemplata tradere, manifestado sem equivocação por quem viveu essa vida de modo pleno. Vem a ser a vocação capaz de transformar a união, ao rés da vida mística e da experiência mística, em verdadeira transfiguração em Cristo, para que Cristo, vivendo em nós e dirigindo todas as nossas ações, pudesse atrair os homens ao desejo e à procura dessa mesma exaltada união mediante o júbilo, a santidade e a vitalidade sobrenatural irradiados pelo nosso exemplo... Ou antes, mediante a secreta influência de Cristo vivendo dentro de nós em posse completa de nossas almas."

 

Thomas Merton em "A montanha dos sete patamares".

10.11.2019

Gratidão.

"Ser grato é reconhecer o amor de Deus em tudo que Ele nos deu – e deu-nos tudo. Cada respiração é um dom do seu amor, cada momento de existência é uma graça, pois traz consigo graças imensas de Deus. A gratidão, portanto, nada considera como devido, nunca deixa de corresponder, a cada instante desperta para novas maravilhas e para o louvor da bondade de Deus."

 

Thomas Merton em "Na liberdade da solidão".

So o humilde é capaz...

"A autoconfiança é um dom natural precioso, um sinal de saúde. Mas não é o mesmo que fé. Esta é muito mais profunda e deve ter profundidade suficiente para subsistir quando estamos fracos, quando estamos com a saúde abalada, quando perdemos a autoconfiança, quando o respeito por nós mesmos desaparecer. Não quero dizer que a fé só funciona quando estamos em estado desesperador de desânimo. Mas a verdadeira fé tem de ser capaz de continuar quando tudo o mais nos é retirado. Só o humilde é capaz de aceitar a fé nessas condições, tão completamente e sem reservas, que se alegra com essa fé em estado puro e a acolhe feliz, mesmo quando nada a acompanha e tudo o mais é retirado."

 

Thomas Merton em "Novas sementes de contemplação".

"Serei melhor católico, se puder afirmar a verdade que existe no catolicismo e ir ainda além [...]. Se eu me afirmo como católico simplesmente negando tudo que é muçulmano, judeu, protestante, hindu, budista etc, no fim descobrirei que, em mim, não resta muita coisa com que me possa afirmar como católico: e certamente nenhum sopro do Espírito com o qual possa afirmá-lo."

 

Thomas Merton em "Reflexões de uma espectador culpado".

"Não podemos ser nós mesmos, sem que nos conheçamos primeiro. Mas esse conhecimento é impossível quando uma atividade irrefletida e automática mantém a alma em confusão. Para que nos conheçamos, não é preciso cessarmos toda atividade e concentrarmos a reflexão em nós mesmos. Seria inútil e, provavelmente, muito prejudicial. Mas precisamos reduzir a atividade até podermos pensar, calma e razoavelmente, em nossas ações. Não começamos a conhecer-nos se não vemos as verdadeiras razões que nos levam a fazer o que fazemos; é não podemos ser nós mesmos se nossas ações não são conformes as nossas intenções."

 

Thomas Merton em "Homem algum é uma ilha".

"Meu Senhor Deus, não tenho ideia para onde estou indo. Não vejo a estrada à minha frente. Não sei ao certo onde isso terminará. Também não me conheço de verdade, e o fato de pensar que estou seguindo sua vontade não significa que estou realmente fazendo isso. Mas acredito que o desejo de agradar você de fato o agrada. E espero ter esse desejo em tudo o que estou fazendo. Espero nunca fazer nada além desse desejo. E sei que, se fizer isso, você me conduzirá pelo caminho certo, embora eu não saiba nada sobre isso. Portanto, sempre confiarei em você, embora pareça estar perdido e na sombra da morte. Não terei medo, pois você está sempre comigo e nunca me deixa enfrentar meus perigos sozinho."

 

Thomas Merton 

Contemplação Mística em 3 seguros passos

"Tradicionalmente, o mais característico traço da contemplação cristã é essa passividade, essa recepção da divina luz-nas-trevas como um dom sumamente misterioso e inexplicável do amor de Deus.

 

Agora temos condições de resumir os elementos essenciais da contemplação mística:


1. É uma intuição que, em seus graus mais baixos, já transcende os sentidos; e, em seus graus mais elevados, transcende a própria inteligência.

2. Por isso, é caracterizada por uma qualidade de luz nas trevas, um saber não-saber. Está além do sentimento e até mesmo dos conceitos.


3. Neste contato com Deus, nas trevas, deve haver, de ambas as partes, uma certa atividade de amor. Da parte da alma, deve haver uma renúncia ao apego às coisas dos sentidos; a mente e a imaginação devem libertar-se de toda inclinação emocional e passional às realidades sensíveis. (…) O contemplativo deve, portanto, manter-se alerta e desinteressado de apegos sensíveis e até mesmo de apegos espirituais."

 

Thomas Merton em "A experiência interior".

Sobre a perfeição

Numa palavra, toda a vida cristã consiste na procura da vontade de Deus com uma fé amorosa e no cumprimento dessa vontade abençoada, através de um amor fiel.

A perfeição é, pois, uma questão de fidelidade e amor – fidelidade ao dever, em primeiro lugar; depois, amor à vontade de Deus em todas as suas manifestações. O amor implica preferência, e a preferência exige sacrifício. Na prática, então, a preferência da vontade de Deus significa por de lado e sacrificar a nossa vontade. Quanto mais o cristão renuncia à sua vontade para cumprir a vontade de Deus em submissão amorosa e em feliz rito de filiação divina, tanto mais se mostrará verdadeiramente filho do Pai do Céu, e tanto mais próximo ficará da perfeição cristã.

 

Thomas Merton em "Vida e Santidade.

"A primeira coisa a fazer quando se reconhece a presença da graça divina no coração, é desejar mais caridade, e do momento que se deseja mais, já se tem mais: e esse desejo é em si o penhor do que ainda virá. A causa disso é que um desejo de amar a Deus nos afasta de tudo o que se opõe à Sua vontade.

 

É desejando crescer no amor que recebemos o Espírito Santo, e o efeito dessa comunicação mais abundante é a sede de maior caridade. (...) O desejo de caridade em uma alma cristã bem madura é um lúcido, profundo, tranquilo, ativo e sumamente frutuoso conhecimento da Santíssima Trindade.”

 

Thomas Merton em "Homem algum é uma ilha".

O barco não está mais atado

"Não posso imaginar maior causa de gratidão em meu quinquagésimo aniversário do que ter acordado neste dia em um eremitério! (…) Ontem à noite, antes de me deitar, percebi o que a solidão realmente significa: é quando as cordas são largadas e o barco não está mais atado à terra, mas ruma para o mar sem amarras, sem restrições! Não o mar da paixão, mas, ao contrário, o mar de pureza e amor que é sem preocupação. (Em meio ao frio e à escuridão, ouço o toque do Angelus no mosteiro.) O belo resplendor de uma jóia no mel da luz do lampião. Festa!”

 

Thomas Merton, "Merton na Intimidade" (Fisus, 2001) pág. 269

O temperamento não predestina um homem à santidade e outro à reprovação. Todos os temperamentos podem servir de material para a ruína ou a salvação. Temos de aprender a ver como nosso temperamento é um dom de Deus, um talento que devemos fazer valer, até que ele venha. Não importa até que ponto somos dotados de um temperamento difícil ou ingrato. Se fizermos bom uso do que temos, se disso nos utilizarmos para servir nossos bons desejos, podemos conseguir mais do que alguém que apenas serve seu temperamento em lugar de obrigá-lo a servi-lo.

Thomas Merton, "Na liberdade da solidão", (Editora Vozes, Petrópolis), 2001. p.20.

Buscar a visão dos profetas

 

"Dentre as coisas e acontecimentos que proclamam ao mundo a vontade de Deus, poucos são suscetíveis de interpretação pelos homens. E, desses poucos, menos ainda os que encontram intérprete capaz. Assim, o mistério da vontade de Deus torna-se duplamente enigmático por causa dos sinais que o velam a nossos olhos.

 

Para conhecermos, afinal, alguma coisa da vontade de Deus, temos que participar, de certo modo, da visão dos profetas: homens que foram sempre atentos à luz divina encerrada na opacidade das coisas e dos fatos e que, às vezes, vislumbram um fugaz reflexo dessa luz, lá onde os outros homens nada viram além dos acontecimentos ordinários.

 

E, no entanto, se ficamos demais ansiosos por intrometer-nos no mistério que nos cerca, perdemos a reverência do profeta e trocamo-la pela impertinência dos adivinhos. Devemos ser silenciosos em presença de sinais cujo sentido nos é oculto."

 

Thomas Merton, "Homem Algum é uma Ilha", Verus 2003, p. 66.

São Bernardo

 

"Os santos são sempre um mistério. Não se pode acabar de compreender completamente o que faz sua personalidade única e, ao mesmo tempo, universal. O enigma da santidade é a tentação e muitas vezes a ruína dos historiadores. Isso ainda é mais verdadeiro para um santo como Bernardo de Claraval, que dominou toda a história do seu tempo. A santidade nasce da luta – de contradições que se resolvem na união."

Thomas Merton em Bernardo de Claraval.

Espírito revolucionário

 

"Só uma revolução espiritual pode salvar o mundo de um completo colapso moral. A cristandade, por sua própria natureza, exige essa revolução. Se todos os cristãos conformassem a Vida àquilo em que creem, tal revolução viria. A separação do mundo, o desprendimento, a união com Deus constituem a expressão mais fundamental desse espírito revolucionário."

Thomas Merton em Ascensão para a verdade .

Sempre além do conhecimento

 

"Poesia, música e arte têm algo em comum com a experiência contemplativa. Mas a contemplação está além da intuição estética, além da arte, além da poesia. Na verdade ela também está além da filosofia, além da teologia especulativa. Ela resume, transcende e cumpre todas elas.  Mas ao mesmo tempo parece, de certo modo, suplantar e negar a todos. A contemplação está sempre além do nosso conhecimento, além da nossa própria luz, além dos sistemas, além das explicações, além do discurso, além do diálogo, além de nós mesmos."

Thomas Merton em Novas sementes de contemplação.

Minha vida é uma luta em busca da verdade

"Durante o ofício da noite e a meditação da manhã, vi que toda minha vida é uma luta em busca da verdade (pelo menos quero que seja), que a verdade se encontra na realidade de minha própria vida, tal como ela me é dada, que se encontra por consentimento e aceitação totais. Jamais por derrota, por mera resignação passiva, por mera aceitação inerte de mal e falsidade (que são, não obstante, inevitáveis), mas por anuência "criadora", no mais íntimo de mim, à vontade de Deus, que se expressa em minha própria vida e meu ser."

Thomas Merton em "Merton na intimidade: sua vida em seus diários".

Contemplação mística em 3 pontos

"Tradicionalmente, o mais característico traço da contemplação cristã é essa passividade, essa recepção da divina luz-nas-trevas como um dom sumamente misterioso e inexplicável do amor de Deus.

Agora temos condições de resumir os elementos essenciais da contemplação mística:

 

1. É uma intuição que, em seus graus mais baixos, já transcende os sentidos; e, em seus graus mais elevados, transcende a própria inteligência.

 

2. Por isso, é caracterizada por uma qualidade de luz nas trevas, um saber não-saber. Está além do sentimento e até mesmo dos conceitos.

 

3. Neste contato com Deus, nas trevas, deve haver, de ambas as partes, uma certa atividade de amor. Da parte da alma, deve haver uma renúncia ao apego às coisas dos sentidos; a mente e a imaginação devem libertar-se de toda inclinação emocional e passional às realidades sensíveis. (…) O contemplativo deve, portanto, manter-se alerta e desinteressado de apegos sensíveis e até mesmo de apegos espirituais."

Thomas Merton em "A experiência interior".

O caminho que conduz a Deus

"Existe no meu coração uma grande sede de reconhecer totalmente o nada de tudo aquilo que não é Deus. A minha oração torna-se, deste modo, numa espécie de súplica em direção ao centro do Nada e do Silêncio. Se eu estou ainda presente como 'eu mesmo', reconheço que isto é um obstáculo... Se ele quiser, poderá então transformar o Nada em total claridade. Se ele não o faz assim, então o Nada efetivamente parece ser em si mesmo um objeto e continua sendo um obstáculo. Este é o meu método normal de oração ou meditação. Não consiste em pensar nalguma coisa, mas numa busca direta do Rosto do Invisível. Isto não será possível, a não ser que nos abandonemos Nele, que é Invisível."

Thomas Merton em "Viver com sabedoria".

Solidão: um encontro consigo mesmo

"A única coisa necessária é uma verdadeira vida interior e espiritual, um crescimento verdadeiro, por minha conta, em profundidade, numa nova direção. Seja qual for a nova direção que Deus me indique. Minha obrigação é não parar de avançar, crescer interiormente, rezar, livrar-me de apegos e desafiar os medos, aumentar minha fé, que tem sua própria solidão, procurar uma perspectiva inteiramente nova e uma nova dimensão em minha vida. Abrir novos horizontes a qualquer custo, desejar isso e deixar que o Espírito Santo se encarregue do resto. Mas realmente desejar isso e trabalhar por isso"

Thomas Merton em "Merton na intimidade: sua vida em seus diários".

Como posso encontrar Deus no meio da escuridão?

"Não vemos o caminho que está à nossa frente. Parece escuro, mas Deus é Senhor de todos os destinos e Sua vontade é amor. Deixemos então tudo mais de lado e confiemo-nos inteiramente a Ele, dando-nos a Seu amor, pedindo-Lhe que nos guie e ilumine no caminho da ação positiva, se tal tipo de ação for factível. Quanto ao resto, devemos ter muita paciência e uma fidelidade constante à Sua vontade e aos nossos ideais."

Thomas Merton em "Merton na intimidade: sua vida em seus diários".

"As exigências do amor são progressivas.

No início, amamos a vida, amamos a sobrevivência a qualquer preço. Assim, devemos, em primeiro lugar, amar a nós mesmos.

Porém, à medida que crescemos, devemos amar os outros. Devemos amá-los encontrando nisso nossa própria realização.

Em seguida, devemos amá-los de maneira a realizá-los, a desenvolver neles sua capacidade de amor; finalmente, devemos amar a nós mesmos e aos outros em Deus e para Deus. (...)

Nossa escolha está limitada a certas possibilidades definidas. No entanto, podemos e devemos amar aqueles com quem, de fato, nos encontramos, seja como amigos, seja como pessoas amadas apesar de sua hostilidade. (...)

A Lei do Amor não é mera Lei da Vontade. Crescer não é mero crescimento da vontade. O amor é ao mesmo tempo, dependente e livre. Depende de valores objetivos e cria, também em seu íntimo, novos valores."

Thomas Merton em "Homem algum é uma ilha".

"A paz não é mera ausência de guerra, nem se reduz ao simples equilíbrio de forças entre adversários, nem é um resultado de opressão violenta: antes é, adequada e propriamente, definida 'obra de justiça' (Is 32,7). É fruto da ordem que o seu Fundador divino inseriu na sociedade humana. Deve ser realizada, em perfeição progressiva, pelos homens que têm sede da justiça. Pois, embora o bem comum do gênero humano seja moderado em seus princípios fundamentais pela lei eterna, em suas exigências concretas fica sujeito a contínuas mudanças, no decorrer dos tempos: a paz nunca é conquistada de uma vez para sempre; deve ser continuamente construída. Além disso, por ser a vontade humana fraca e ferida pelo pecado, a realização da paz exige de cada um constante domínio das paixões e vigilância eterna da autoridade legítima."

Thomas Merton em "Amor e Vida".

Como se deve buscar a verdadeira amizade com Deus?

"Se desejamos agradar ao verdadeiro Deus e ser amigos da mais ditosa das amizades, deixemos que o nosso espírito se apresente desnudado diante de Deus. Não deixemos que entre nele nada deste mundo presente, nem arte, nem pensamento, nem raciocínio, nem auto justificação, ainda que possuímos toda a sabedoria deste mundo."

FOREST, J. Thomas Merton: viver com sabedoria.

Hagia Sophia

"Há em todas as coisas visíveis uma fecundidade invisível, uma luz tênue, um manso anonimato, uma oculta inteireza. Essa misteriosa Unidade e Integridade é a Sabedoria, a Mãe de tudo, Natura Naturans. Há em todas as coisas uma inesgotável doçura e pureza, um silêncio que é a fonte de ação e de alegria. Transborda em calada bondade e flui para mim de invisíveis raízes de todos os seres criados, acolhendo-me ternamente, saudando-me com indescritível humildade. Isto é ao mesmo tempo meu próprio ser, minha própria essência e o Dom do Pensamento e da Arte do meu Criador dentro de mim, falando como Hagia Sophia, falando como minha irmã, Sabedoria. Estou desperto, nasci de novo ao ouvir a voz dessa minha Irmã, que me foi enviada das profundezas da divina fecundidade."

Thomas Merton em Emblems of a Season of Fury, em 1963

Sobre a oração e meditação

“Algumas pessoas podem, sem dúvida, ter o dom espontâneo da oração meditativa. Hoje em dia, isso é raro. A maior parte dos homens tem de aprender como meditar. Existem maneiras de meditar. Não devemos, entretanto, esperar encontrar métodos mágicos, sistemas que façam todas as dificuldades e obstáculos se dissolverem no ar. A meditação é, por vezes, muito difícil. Se sustentarmos com coragem as durezas na oração e esperarmos pacientemente a hora da graça, bem poderemos descobrir que a meditação e a oração são experiências que nos trazem grande alegria. Não devemos, porém, julgar o valor de nossa meditação partindo de “como nos sentimos”. Uma oração dura e aparentemente infrutífera pode, de fato, ter muito mais valor do que outra mais fácil, feliz, iluminada e que pareça bem-sucedida.”

Thomas Merton em A oração contemplativa

O verdadeiro contemplativo é ...

“um amante da sobriedade e da obscuridade. Prefere tudo o que é calmo, humilde e despretensioso. Não precisa de excitações espirituais. Estas facilmente o desgastam. Sua inclinação é para aquilo que parece ser nada, que lhe diz pouco ou nada, aquilo que nada lhe promete. Somente quem seja capaz de permanecer em paz no vazio, sem projetos ou vaidades, sem discursos para justificar sua própria inutilidade aparente, pode estar salvo do apelo fatal dos impulsos espirituais que o convidem a autoafirmar-se e a “ser alguma coisa” aos olhos dos outros.”

Thomas Merton em A experiência interior

Thomas Merton vai para a cidade e vê a raça humana

“Em Louisville, em uma esquina de Fourth e Walnut, no centro comercial da cidade, fui subitamente tomado pela consciência de que eu amava todas aquelas pessoas, que eram minhas e eu era delas, que não poderíamos ser estranhos uns aos outros embora fôssemos totalmente desconhecidos (…) Tenho a imensa alegria de ser humano, de pertencer a uma espécie na qual o próprio Deus se encarnou. Como se os pesares e estupidez da condição humana pudessem me esmagar agora que percebo o que todos nós somos. Ah, se todo mundo pudesse dar-se conta disto! Mas isto não pode ser explicado. Não há como dizer às pessoas que todas elas andam pelo mundo brilhando como o sol!

(…) Fazer parte da espécie humana é um destino glorioso, mesmo se nossa espécie se dedica a muitos absurdos e comete muitos erros terríveis: apesar de tudo isso, o próprio Deus gloriou-se de vir a fazer parte da espécie humana. Parte da espécie humana! E pensar que essa percepção, que é um lugar comum, pode subitamente parecer uma notícia de que você é o detentor do bilhete que ganhou o primeiro prêmio na loteria cósmica.”

Thomas Merton em Reflexões de um espectador culpado (Vozes, 1970), p. 18

Thomas Merton vai para a Ásia e vê a criação

Foi com tristeza e dor que sobreveio a notícia dos graves atentados que mancharam de sangue a Páscoa no Sri Lanka. Nesta terra, colonizada inicialmente por portugueses, menos de dez por cento são católicos; um alvo pequeno, mas que foi atingido em cheio durante as celebrações da Ressurreição do Senhor.

A imagem mais antagônica de toda catástrofe é também aquela que traz maior perplexidade: uma estátua do Cristo Ressuscitado que parece ter voltado à cena da flagelação da Sexta-feira Santa. Jesus, a Cabeça, desta vez manchado pelo sangue de seus membros, povo fiel reunido em torno do altar durante a Missa numa Igreja de Negombo, cidade ao norte da capital Colombo. A explosão de bombas nestes tempos e neste chão levanta uma fumaça fúnebre em um cenário que também presenciou outra forma de “explosão”.

Merton, em sua viagem ao Oriente, visitando o Sri Lanka nos primeiros dias de dezembro de 1968, nos legou a descrição de uma experiência estética e luminosa de devastadora beleza, relatada em detalhes no seu Diário da Ásia. Este evento, além de entrar no rol das “epifanias” vivenciadas por este buscador de Deus, encerrou sua peregrinação: “sei e vi aquilo que obscuramente eu procurava.” (O Diário da Ásia, pág. 182)

 

Posto isso, e a fim de amenizar o terror provocado pelo número oficial de mortos, que só cresce nesta catástrofe no Sri Lanka, queremos enxugar as lágrimas para lançar um olhar de ternura sob o Senhor Ressuscitado e em sua ação sobre nós: o de fazer-nos participar de Sua Vida Divina.

(...) Em tempos de nefastas notícias vindas do Sri Lanka, roguemos a Deus para que sopre em nós e naquele país os bons ventos da compaixão e da paz, e que a experiência sobrenatural lá vivenciada por Merton seja alento àqueles que sofrem por conta dos últimos acontecimentos dramáticos.

Cristóvão de Sousa Meneses Júnior

                        

                                                     Sri Lanka, 1968

 

 

 

“Fui arrastado por uma onda de gratidão e consolo ante a óbvia clareza dessas figuras, a clareza e fluidez das formas e linhas, o desenho dos corpos monumentais harmonizando-se com os padrões da rocha. Paisagem, imagem, pedra, árvore. E a extensão de rocha nua em oblíquo afastamento para o outro lado da concavidade, aonde se pode voltar e apreciar diferentes aspectos dessas figuras.

Olhando-as, fui bruscamente e quase à força arrancado para ficar livre do modo habitual de ver as coisas, já em si algo exausto, e uma clareza interior, uma nitidez que parecia explodir das próprias pedras, tornou-se manifesta e óbvia. A pura evidência da estátua reclinada, o sorriso, o triste sorriso de Ananda em pé e com os braços cruzados (muito mais “categórico” que o da Mona Lisa de Da Vinci, porque absolutamente simples e sem rodeios). A grande questão, sobre isso tudo, é que não há enigma, não há problema, não há “mistério”. Todos os problemas jé estão resolvidos e tudo está muito claro, simplesmente porque o que importa está claro. A pedra, toda a matéria, toda a Vida, está imantada de dharmakaya – tudo é vazio e tudo é compaixão. Não sei quando em minha vida tive um tal senso de beleza e vitalidade espiritual a fluir juntas numa mesma iluminação estética. Sem dúvida, com Mahabalipuram e Polonnaruwa, minha peregrinação asiática tornou límpida e purificada a si própria. Quero dizer que eu sei e vi aquilo de que andava obscuramente à procura. O que ainda resta, não sei, mas agora já vi, penetrei pela superfície adentro e fui além da sombra e do disfarce.”

Merton na Intimidade (Fisus, 2001), pág. 416

"Ainda que a minha vida esteja escrita no Corpo de Cristo como um mapa, 
Os cravos marcaram essas mãos abertas
Mais do que os nomes abstratos dos pecados,
Mais que os condados e as cidades,
Os nomes das ruas, os números das casas,
A recordação dos dias e das noites,
Quando eu o assassino em cada praça e em cada rua.
A lança e os espinhos, o martelo e o cravo 
Fizeram mais..."

Thomas Merton em Paz na era pós-cristã.

A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO

"(...) É minha intenção fazer da minha vida inteira uma rejeição, um protesto contra os crimes e as injustiças da guerra e da tirania política, que ameaçam destruir todo o gênero humano e o mundo inteiro. Através da minha vida monástica e dos meus votos, digo NÃO a todos os campos de concentração, aos bombardeamentos aéreos, aos julgamentos políticos, que são uma pantomina, aos assassinatos judiciais, às injustiças raciais, às tiranias econômicas, e a todo o aparato sócio econômico, que não parece encaminhar-se senão para a destruição global, apesar do seu bonito palavreado a favor da paz."

Thomas Merton: La voz secreta. Refflexiones sobre mi obra en Oriente y Occidente.

Santander: Sal Terrae, 2015. p. 96-97

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O CHAMADO DE DEUS

"O próprio Deus busca a si mesmo em nós, e a aridez e pesar de nosso coração é o pesar de Deus que não é conhecido por nós, que ainda não pode encontrar-se em nós porque não ousamos crer ou confiar na incrível verdade que Ele possa viver em nós, e viver em nós por escolha, por preferência [...]. É o amor de meu amante, meu filho ou meu irmão que me permite mostrar Deus nele ou nela. O amor é epifania de Deus em nossa pobreza."

BINGEMER, M. C. Thomas Merton: a clausura no centro do mundo.

O SANTO TEMOR

"E é só na presença de Deus que nos revelamos em toda a verdade. Porque é então que, vendo a Deus em sua luz, vinda na obscuridade da fé, também vemos, à mesma claridade, como somos diferentes do que pensamos ser em nossa ambição e vaidade.
 

Aqui o recolhimento colore-se de compunção e daquilo que os Padres chama de ‘santo temor’. Temor é o conhecimento de nós mesmos em presença da santidade de Deus. É o conhecimento que temos de nós diante do seu amor, ao ver como estamos longe do que esse amor queria."

Thomas Merton, em "Homem algum é uma ilha".

UMA COISA ENTRE AS DEMAIS

"É um truísmo dizer que o "deus" supostamente destruído no raciocínio ateu não é um deus. Este deus de palha é, de fato, um objeto contingente, limitado, falível, e sem poder, uma coisa entre as demais; no melhor dos casos, uma imitação. Tal "deus" não tem nenhum direito de existir, mas o ateu não tem razão de orgulhar-se de verificar isso. Se, contudo, persistir em pensar que realmente fez uma descoberta ao provar a não existência dessa miragem, provavelmente é porque tantas pessoas religiosas - e muitos livros religiosos - dão a impressão de que tal ser vago e limitado é de fato o deus da fé religiosa. Infelizmente, para muitos "crentes", o Deus em que creem não é o Deus vivo, mas uma hipótese apologética"

Thomas Merton, em "A Igreja e o mundo sem Deus".

A TRADIÇÃO: MÍSTICA E MONÁSTICA

"Estou no mosteiro, e pretendo estar aqui. Nunca tive dúvida quanto à minha vocação monástica. Se tenho tido algum desejo de mudança, tem sido por uma forma mais solitária, mais 'monástica'. Mas precisamente por causa disso pode-se dizer que estou de algum modo em todos os lugares. Meu mosteiro não é um lar. Não é um lugar onde estou enraizado e estabelecido na terra. Não é um ambiente no qual me torno consciente de mim mesmo como um indivíduo, mas um lugar no qual desapareço do mundo como um objeto de interesse, no sentido de estar em qualquer lugar pelo ocultamento e compaixão. Para existir em todos os lugares tenho que ser ninguém (No-one)"

Thomas Merton, em "Reflexões de um espectador culpado".

NA PUREZA DO CORAÇÃO A ORAÇÃO

"Na 'oração do coração', procuramos, em primeiro lugar, a base mais profunda de nossa identidade com Deus. Não raciocinamos em relação aos dogmas da fé, nem sobre os 'mistérios'. Procuramos, antes, conseguir apreender diretamente, de maneira existencial, por uma experiência pessoal, as mais profundas verdades da vida e da fé: encontramos a nós mesmos na verdade de Deus. A noite escura retifica nossas mais íntimas intenções. No silêncio dessa 'noite de fé', voltamos à simplicidade e à sinceridade do coração. Aprendemos como nos concentrar, nos 'recolher'. Isto consiste em escutar, estar atento para ouvir a vontade de Deus na direta e simples atenção à realidade."

Thomas Merton, em "Poesia e Contemplação", Rio de Janeiro: Agir, 1972, p. 107.

TEOLOGIA

"Teologia é o ato pelo qual o crente reflete sobre a sua crença e a estuda metodicamente a fim de alcançar uma compreensão mais profunda da revelação de Deus e se entregar, de maneira mais inteligente e plena, à vontade manifesta de Deus e ao plano de salvação no mundo contemporâneo.

A expressão clássica da tarefa da teologia é a frase de Santo Agostinho, inspirada por um versículo da Vulgata dos Setenta e adotada por Santo Anselmo e por toda a tradição medieval: credo ut intelligam, creio para entender. A teologia é a inteligência de Deus que é o fruto da fé amorosa, indagadora e pesquisadora. As tarefas da fé e da teologia precisam ser consideradas em sua diferença. Pela fé, a pessoa recebe a palavra de Deus e a aceita porque é a Sua palavra. Pela fé, a pessoa 'ouve' Deus (Rm 10,17). Ou seja, ela não só ouve falar de Deus, mas entra numa relação pessoal de amor obediente com Deus, seu Pai, que lhe está oferecendo a mensagem de salvação na Igreja e através da Igreja, a comunidade redimida e fiel. A teologia, no seu sentido verdadeiro, não começa simplesmente com certas proposições oficiais formais a respeito de Deus, mas parte dessa relação pessoal. A tarefa da teologia não é simplesmente melhorar a nossa compreensão científica dos dogmas, mas aprofundar e esclarecer nossa relação pessoal com Deus, na Igreja."

Thomas Merton, em "Amor e vida", Martins Fontes, 2004, p. 112.

ATITUDE SAGRADA

"A atitude sagrada é, então, uma vida de reverência, espanto e silêncio diante do mistério que começa a tomar lugar em nós, quando nos tornamos conscientes de nosso eu mais profundo.

Em silêncio, esperança, expectativa e ignorância, o homem de fé abandona-se à vontade divina: não como um poder mágico e arbitrário, cujos decretos são pronunciados em fórmulas crípticas, mas à corrente da realidade e da própria vida.

A atitude sagrada é, assim, uma atitude de profundo e fundamental respeito por todo o real, em qualquer nova forma que este possa se apresentar."

Thomas Merton, em "A experiência interior", Martins Fontes, 2007, p. 79.

O CLIMA DE MISERICÓRDIA

Todo o clima do Novo Testamento é de libertação pela misericórdia: libertação do pecado, da morte e até da Lei Antiga, pela graça e pelo dom livre de Deus. Os atos milagrosos de Cristo nos sinóticos tendem geralmente a deixar isso claro. O poder de perdoar é claramente associado ao poder de curar e fazer voltar à vida (Mc 2,5-12). O clima do Evangelho é, portanto, um clima ao mesmo tempo de misericórdia e de vida, de perdão e criatividade. Entramos nesse clima e respiramos seu ar puro pela fé, que é a submissão à "Nova Lei" da graça e do perdão, isto é, a submissão a uma lei de aceitar e ser aceito, de amar e ser amado, num encontro pessoal com o Senhor da vida e com o nosso irmão nele. Esta é uma "Lei" no sentido lato e analógico, porque é regida não tanto por padrões abstratos e fixos, mas pelas exigências existenciais de amor pessoal e de lealdade: exigências da graça e do coração que são, em grande parte, definidas pela nossa própria história de pecado pessoal, de necessidade e perdão. Abandonar a fidelidade pessoal que se deve à graça de Cristo para nós em nossa própria vida a fim de retornar a um padrão forense abstrato e impessoal, é renunciar à liberdade e tornar a cair na servidão e, dessa forma, anular o dom de Deus, declarando, ao mesmo tempo, implicitamente, que a Cruz de Cristo não teve sentido (Gl 2,21). Recusar a misericórdia é falhar na fé.

Thomas Merton em "Amor e vida".

LIBERDADE NA OBEDIÊNCIA


"Você por acaso pensa que o caminho para a santidade consiste em se trancar com suas orações, livros e as meditações que agradam e interessam à sua mente, com vários muros para protegê-lo das pessoas que considera estúpidas? Você acha que o caminho para a contemplação passa por recusar os trabalhos e atividades necessários ao bem dos outros, mas que o entendiam e distraem? Você imagina que vai descobrir Deus se fechando em um casulo de prazeres espirituais e estéticos, ao invés de renunciar a todos os seus gostos, desejos, ambições e satisfações por amor a Cristo? Pois ele nem viverá em você se você não conseguir encontrá-lo nos outros."


Texto em "Novas sementes de contemplação".

OREMOS JUNTOS COM THOMAS MERTON!

Oração Especial de Encerramento - Uma nova linguagem de Oração (Proferida por Thomas Merton no Primeiro Encontro Espiritual de Cúpula realizado em Calcutá).

"Ó Deus, nós somos um contigo. Tu nos fizeste um contigo. Tu nos ensinaste que quando estamos abertos uns aos outros tu moras em nós. Ajuda-nos a preservar essa abertura e a lutar por ela com todas as nossas forças. Ajuda-nos a compreender que não pode haver entendimento quando há mútua rejeição. Ó Deus, aceitando-nos uns aos outros de todo o coração, inteiramente, completamente, nós te aceitamos e te agradecemos e te adoramos e te amamos com todo o nosso ser, porque nosso ser está no teu ser e nosso espírito está enraizado em teu espírito. enche-nos pois de amor, que o amor nos conserve unidos quando tivermos seguido nossos diferentes caminhos, unidos nesse espírito único que te faz presente no mundo e que te faz testemunho dessa realidade fundamental que é o amor. O amor venceu. O amor é vitorioso. Amém."


Texto em "O Diário da Ásia de Thomas Merton", Ed. Vega, 1975, Apêndice V.

"O homem de oração que tanto se familiarizou com as verdades de fé no estudo e na meditação e as pode relembrar numa simples intuição, só por isto não se torna automaticamente contemplativo. A oração contemplativa não consiste, estritamente, numa seca visão de poucos segundos. Ela absorve a mente e a vontade num olhar prolongado, frutuoso e amante, em que a intuição da verdade divina não acaba num instante mas permanece em nós e invade o nosso ser com insuspeitas profundezas de sentido. Esta intuição cativa por um obscuro e inexplicável encanto. Ela não nos deixará escapar do oculto poder que trabalha nas profundezas do espírito, embora seja difícil falar do que nos acontece." 

 

Thomas Merton em "Ascensão para a verdade.

SEM QUERER FAZER DA VIDA CRISTÃ UM CULTO

 

“Um culto de sofrimento por amor ao sofrimento, temos de admitir francamente que a auto-renúncia e o sacrifício são absolutamente essenciais à vida de oração.

Para que a vida de oração transforme nosso espírito e faça de nós "homens novos" em Cristo, a oração deve estar acompanhada da "conversão", metanoia. É a profunda mudança de coração, em que morremos em certo nível de nosso ser, a fim de nos encontrarmos vivos e libertos noutro plano mais espiritual."

Thomas Merton em "A oração contemplativa.".

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